Falência hídrica, alertam pesquisadores da ONU

O consumo excessivo de água doce, somado aos efeitos das mudanças climáticas, levou o planeta a uma nova fase de colapso conhecida como “falência hídrica”. O termo descreve uma situação crônica em que regiões passam a usar mais água do que os sistemas naturais conseguem repor de forma confiável, sem capacidade de recuperação no médio e longo prazo. Hoje, cerca de 4 bilhões de pessoas enfrentam escassez severa de água por pelo menos um mês ao ano.

Os impactos já são visíveis em diferentes partes do mundo, com reservatórios esvaziados, quebras de safra, racionamento, aumento de incêndios florestais e tempestades de poeira. Em Teerã, na capital do Irã, secas prolongadas e o uso insustentável da água esgotaram os reservatórios do local, enquanto nos Estados Unidos a demanda já supera a oferta do Rio Colorado, essencial para sete estados. Estudos indicam que aquíferos, zonas úmidas e outros sistemas hídricos sofrem danos difíceis ou impossíveis de reverter, caracterizando um estado permanente de colapso.

Um dos efeitos mais graves é a subsidência do solo, causada pelo bombeamento excessivo de água subterrânea. O relatório Global Water Bankruptcy, publicado em janeiro de 2026, aponta que o afundamento do solo já atinge mais de 6 milhões de quilômetros quadrados no mundo, incluindo áreas urbanas onde vivem cerca de 2 bilhões de pessoas. A crise afeta diretamente a agricultura, responsável por 70% do consumo global de água doce, ameaça a segurança alimentar e aumenta riscos de conflitos, migrações forçadas e instabilidade social em escala global.

✅️ Fonte: Rede Pampa e Jornal O Sul

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